Ilha não é de Hollywood, mas é da Paraíba

Por Maria Clara Lima

      O curta-metragem do diretor e roteirista Ismael Moura, Ilha, não é uma produção de Hollywood, é ainda melhor, pois foi o resultado de ações voluntárias feitas no interior da Paraíba, na cidade do Congo. São pessoas que se entregaram de corpo e alma para fazer o que gostam, e as consequências são os 70 prêmios e a indicação ao Grande Prêmio Nacional do Cinema Brasileiro (GP) de 2017, evento que vai ocorrer em 26 de agosto.

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Fotos de Adom Vieira

      O projeto conta a história de um pai, Seu Antônio de 80 anos, com um filho autista. Eles vivem em uma casa simples e isolada, o rapaz é obrigado a ficar em um quarto escuro cercado de água, transformando sua cama em uma espécie de ilha. “O drama mostra uma forma de amor talvez incompreendida, uma pessoa sem informação e esquecida pela sociedade, tendo que cuidar sozinho de um jovem autista. Isso nos faz pensar em quantos casos semelhantes existem por aí” diz Ismael Moura.

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Fotos de Adom Vieira

        Porém, como tudo na vida tem um início, o começo de Ilha se deu quando Ismael com 10 anos esteve pela primeira vez em um cinema, e encantado com o nome do diretor nos créditos finais descobriu o que gostaria de fazer pelo resto da vida. “Foi lá que soube responder aquela velha pergunta feita para as crianças, ‘o que você quer ser quando crescer?’ Eu queria fazer cinema!” diz ele.

        O tempo passou e o sonho continuou, até que os caminhos se cruzaram com os de Torquato Joel, cineasta e coordenador junto com Virginia Gualberto do Laboratório de Cinema para Jovens Paraibanos (JABRE) da Coordenação de Extensão Cultural (COEX) da UFPB, que consiste em dar oportunidade para aqueles que gostariam de desenvolver roteiros de cinema, como era o caso de Ismael.

        Depois de pronto o roteiro teria que sair do papel, Torquato brinca que Ismael era uma espécie de “professor pardal”, pois mesmo com as dificuldades, como a falta de dinheiro para a produção, o diretor resolvia os problemas com criatividade. Ismael explica que fazer algo que gosta é a diferença. “Fazer cinema  não é fácil, ainda mais na Paraíba e para piorar no interior como é meu caso, mas quando se faz o que gosta sempre se encontra um jeito”.

        O trabalho colaborativo de Ilha proporcionou trocas de experiências entre os participantes, mas tanto Ismael quanto Torquato realçaram o casamento perfeito entre Fernando Teixeira, grande ator paraibano com o jovem de Cuité-PB, Walison Pereira, que não tinha a mesma bagagem de Fernando, mas que se entregou e conquistou o público e as pessoas presentes no set de filmagem.

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Fotos de Adom Vieira

        Ismael deixou sua contribuição para o cinema paraibano, e seus destaques mostram que a qualidade e a quantidade das produções melhoraram em todos os lugares do estado. “Você tem gente produzindo filmes em cidades de 3 ou 4 mil habitantes ou gente produzindo aqui em João Pessoa ou em Campina Grande” diz Torquato.

        Mas para tudo isso acontecer o primeiro passo é sonhar, é o recado que Ismael Moura deixa para todos aqueles que querem fazer cinema. Torquato completa lembrando que a UFPB oferece a graduação na área, e diz que o caminho para ser um cineasta é ler, ver filme e acima de tudo, praticar.

 

 

 

 

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